CAMBAIO
Canções escritas para a peca teatral "Cambaio", de João Falcão e Adriana Falcão, estreada no Teatro Sesc Vila Mariana, São Paulo, em 20 de abril de 2001.
Leia texto de Luiz Fernando Veríssimo sobre o disco
Músicas: Edu Lobo
Letras: Chico Buarque
Copyright(c) by Lobo Music/Marola
Direção Artística: Jorge Davidson
Arranjos: Chico de Moraes e Edu Lobo
Orquestração e Regência : Chico de Moraes
Arregimentação: Paschoal Perrota
Producão Musical: Edu Lobo
Produção Executiva: Vinicius França
Projeto Gráfico e Desenhos: José Carlos Lollo
Coordenação Gráfica : Luis Felipe Couto e Emil Ferreira
Gravado e Mixado nos Estúdios A&R em abril e maio de 2001
Masterização: Magic Master por Ricardo Garcia
1. Cambaio - Lenine
2. Uma Canção Inédita - Chico Buarque
3. Lábia - Zizi Possi
4. A Moça do Sonho - Edu Lobo 
5. Ode Aos Ratos - Chico Buarque
6. Quase Memória (instrumental)
7. Veneta - Gal Costa
8. Noite de Verão - Edu Lobo
9. A Fábrica (instrumental)
10. Cantiga de Acordar - Chico Buarque, Edu Lobo , Zizi Possi
"CAMBAIO" RECEBEU O GRAMMY LATINO COMO O MELHOR ALBUM DE MÚSICA POPULAR
BRASILEIRA EM SETEMBRO DE 2002
ELEGÂNCIA SONORA
TRECHO DE CRÍTICA DE TARIK DE SOUZA PARA O JORNAL DO BRASIL
"Em todas as composições a caligrafia indelével casa o virtuosismo dos dois luminaries da geração pós-bossa nova. Um entrosamento que funciona em formato único há 20 anos.
"Eu tenho uma expectative do drible do Chico na letra e ele do meu drible harmônico na música" sintetiza Edu, endossando a comparação coma dupla Pelé&Coutinho da entrevistadora, a jornalista Regina Zappa. A bola rola redonda de pé em pé em (que diferença da atual seleção felipeta) em Cambaio (BMG), propulsionada por um time de músicos de primeira. Impressiona o cello usado por Jaques Morelenbaum ("de improviso, isso é muito raro", sublinha Edu) no baião Veneta sincopado sob medida pelo fole vocal de Gal Costa. Trata-se de um bonus da trilha, já que o tema não ficou pronto a tempo de entrar no musical. "A idéia era quebrar o lado lírico do personagem feminina, que solta a franga", define o compositor. O eixo da peça volta ao tema da idolatria pop abordado por Chico em Roda Viva, em 1968, e propôe à dupla o laboratório de criar algo palatável às paradas de sucessos. Mas no máximo a faixa-título levada nos extremos vocais de Lenine arreganha os caninos da letra, onde o ídolo pede "uma moça que vira bicho/que é de fechar bordel". Ao fundo, anoitece o trompete surdinado de Marcio Montarroyos num clima de Miles Davis fase pop. Tudo elegante demais para descer ao porão estético das tchutchucas e tigrões.
Canção Onírica - Em compensação, se a projeção fôr êxito a longo prazo, como ocorreu com "Beatriz" do "Grande Circo Místico", degustada num lento processo boca a boca já que não tocou no radio, o CD têm várias candidatas. A começar por "A moça do sonho", com uma introdução raveliana de Chiquinho de Moraes e um desenrolar onírico casado à letra. Ou ainda a melíflua "Lábia" ("dom de mulher/que os homens tem") por uma Zizi Possi coleante. O ritmo circular da valsa domina Cambaio sem impedir uma explosão de sopros jungle à Moacyr Santos nas engrenagens reincidentes de "A fábrica". Ou uma farra de oboe, clarone, clarinete, xilofone, guizos e agogô na abaionada "Ode aos ratos" , enfarpada na voz de Chico, que repescou o tema num fim de fita esquecido por Edu. A vestimenta epithelial de canções como "Quase memória", homenagem ao romance de Carlos Heitor Cony , ou a sumarenta "Noite de verão" ("meio Tenesseee Williams", situa Chico) conferem ao disco rara precisão estilística, culminando na ciranda de vozes dissonantes que se encaixam na letra tríplice de "Cantiga de acordar".
Obra de ourivesaria num tempo de total indelicadeza.
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