O GRANDE CIRCO MÍSTICO
músicas de Edu Lobo / letras de Chico Buarque
criado para o BALLET GUAÍRA
Com Milton Nascimento / Jane Duboc / Gal Costa / Simone / Gilberto Gil / Tim Maia / Zizi Possi / Chico Buarque / Edu Lobo
Direção Artística : Edu Lobo
Arranjos: Chico de Moraes / Edu Lobo
Orquestrações e regência: Chico de Moraes
Concepção, roteiro, ilustrações da capa e encarte: Naum Alves de Souza
Produção: Homero Ferreira
Baseado no poema "O Grande Circo Místico" de Jorge de Lima
Coreografia: Carlos Trincheiras
Técnico de Gravação: Edu de Oliveira (gravado nos estúdios da Som Livre entre ago e dez/1882
Técnico de Mixagem: Alan Sides (mixado nos estúdios da Ocean Way - Los Angeles, jan/1983
Masterizado para CD por Bernie Grundman
Fotos: Cristiane Bodini
Gravado em 1983, na Som Livre, Rio de Janeiro
Abertura do Circo - instrumental
Beatriz - Milton Nascimento 
Valsa dos Clowns - Jane Duboc
Opereta do Casamento - coro
A história de Lily Braun - Gal Costa
Oremus - Coro
Meu namorado - Simone
Ciranda da Bailarina - coro infantil
Sobre todas as coisas - Gilberto Gil
O tatuador - instrumental
A bela e a fera - Tim Maia 
O circo místico - Zizi Possi
Na carreira - Chico Buarque e Edu Lobo
Trecho da Crítica de ZUZA HOMEM DE MELLO para o Estado de São Paulo
"O GRANDE CIRCO MÍSTICO", UM MARCO
"Concebido a partir da poesia de um brasileiro, por artistas brasileiros, o musical mostra claramente o quanto está se andando para trás a cada vez que é importado e montado com elenco nacional , um equivalente do Exterior.
"O Grande Circo Místico" é um triunfo de todos os seus participantes , e logicamente dos dois talentosos e preparados autores de sua primorosa partitura, complementada com igual mérito pelo arranjador e diretor musical Chiquinho de Moraes. Esses dois admirados autores, Chico Buarque e Edu Lobo,
parecem atingir juntos e ao mesmo tempo a maturidade que se desvendava desde o início de suas carreiras nesse tipo de projeto, com "Morte e Vida Severina" em 1965 (Chico fazendo música) e "O Arena Conta Zumbi",em 1964 (Edu também na música). Especialmente para Edu Lobo, esse triunfo deve ter um sabor muito especial , depois que ele teve de enfrentar opiniões muito bitoladas quando decidiu afastar-se para aprimorar a sua técnica de composição. E o resultado é que sem esse estudo nao teria condições de realizar o que conseguiu. Nesse sentido, ser esta ou aquela canção a predileta de um ou outro espectador, é perfeitamente normal, mas o preponderante é o conjunto de canções trabalhadas com o esmero de um artesão altamente capacitado como o são Chico e Edu. "O Grande Circo Místico" coloca-os numa situação, a partir de agora, diferente de todos os outros compositores brasileiros."
Crítica de MAURO DIAS para o Estado de São Paulo
A GRANDE OBRA DA FONOGRAFIA BRASILEIRA
Estabelecendo a parceria de dois gênios , Edu Lobo e Chico Buarque, "O Grande Circo Místico" viria a ocupar o posto de melhor disco da música brasileira de todos os tempos, de onde nunca foi desbancado. Por tudo: pelas canções magistrais, pelos arranjos magníficos de Chiquinho de Moraes (todas as vezes que a televisão mostra cena de circo põe , no fundo, a abertura instrumental composta por Edu Lobo e orquestrada por Chiquinho), pelo trabalho gráfico de Naum Alves de Souza (que concebeu o espetáculo), pela seleção dos intérpretes.
Lançado pela Som Livre em 1983, e relançado em CD pela Velas dez anos depois(edição esgotada), o disco O Grande Circo Místico plantou sucessos improváveis, como a longa (cinco minutos), lentíssima, desprovida de refrão valsa "Beatriz" , na voz de Milton Nascimento (Edu conta que, pelas características descritas acima avalsa nunca tocou no radio; no entanto todo o seu público sempre a soube de cor); enobreceu intérpretes olhados de viés, como Tim Maia, encarregado de dar voz ao brutamonte sensível de "A Bela e a Fera", ("No bucho do analfabeto/ Letras de macarrão/Fazem poema concreto"); proporcionou em "O Circo Místico", o melhor momento fonográfico de Zizi Possi e no alumbramento que é a "Valsa dos Clowns", com os palhaços que nascem dos corações palhaços dos outros palhaços, o melhor de Jane Duboc.
O mais belo elogio (e lamento) da vida mambembe está na música de encerramento "Na Carreira", a única do disco cantada pelos dois autores.
Na reedição em CD, Edu Lobo pôde encaixar dois temas instrumentais (O Tatuador e Oremus)que não haviam cabido no elepê original.